A noite colonial estava no auge quando Margarida Paredes teve a insolência de realizar em 1971, nas arcadas do actual Banco Nacional de Angola (BNA), em Luanda, uma exposição de rua que lhe valeu uma detenção por parte da sinistra Polícia Internacional e Defesa do Estado (PIDE) por ter deduzido que tal amostra constituía uma afronta ao então regime de Lisboa.
Naquela altura, Margarida Paredes vivia a «primavera» da sua vida (entenda-se juventude). Contemporânea da Guerra Colonial tomou consciência das injustiças praticadas pelo regime colonial contra os angolanos, o que a levou a aderir ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) em 1973, como guerrilheira. Contava, então, com 19 anos.
Ela e outras angolanas deram o «corpo ao manifesto» em prol da causa do MPLA de forma abnegada e denodada. Consentiu, a par das suas camaradas de armas, inúmeros sacrifícios para que os propósitos do MPLA vingassem. Até à altura em que se deu o «divórcio político-ideológico». Corria então o ano de 1977. Foi testemunha ocular da tragédia do «27 de Maio». Viu muitas companheiras serem seviciadas e outras levadas ao «paredon».
Este é, de resto, o mote de um estudo da ex-guerrilheira e actual Cientista Social Margarida Paredes, transformado num livro que se afigura de transcendental importância para o conhecimento de uma versão da recente História política de Angola no feminino. Intitulado «Combater Duas Vezes: Mulheres Na Luta Armada em Angola», o livro de Margarida Paredes confunde-se com a sua trajectória de vida