No mês em que se comemora mais um aniversário da cidade de Luanda alguns dos seus ilustres habitantes nos contam como olham para a capital do país e o que gostariam de ver na cidade, no futuro. Das respostas ressalta o quanto gostam desta urbe, das suas zonas mais emblemáticas, mas também a preocupação pela melhoria da qualidade de vida
O actual liberalismo em torno do consumo da droga está em descompasso com as pesquisas médicas mais recentes. As sequelas cerebrais são duradouras, sobretudo quando o uso se dá nos adolescentes
Eu era um miúdo fixe, via os meus vizinhos consumirem droga num quintal abandonado, ao lado da minha casa. Sentia o cheiro de liamba sempre que passava, um dia decidi ir lá, encontrei restos de cigarro, acendi e tentei fumar. Depois, apareceu um jovem, ele tirou umas pedrinhas brilhantes do bolso, pareciam prata, partiu as pedras e misturou com liamba. Eu era mais novo e ele obrigou-me a fumar no primeiro dia senti-me mal, mas depois habituei-me e fiquei viciado em crack, este é o relato do jovem Bartolomeu, que, com 12 anos, entrou no mundo das drogas, de onde, seis anos depois, tenta sair, através da reabilitação
O consumo da droga no nosso País está a atingir níveis preocupantes, sobretudo porque ele se concentra essencialmente na camada juvenil. Com ela, o banditismo, os assassinatos encontram escudos protectores, pelo que é urgente uma grande acção mobilizadora da sociedade, que não pode passar só e apenas por medidas de repressão policial.