LEITORES

 
19 de fevereiro 2019 - às 08:31

A CULPA NÃO É APENAS DO PRESIDENTE DA FAB...

Hoje, a FAB é aquilo que se pode chamar de "saco de pancadas". Mas como não estou a falar de boxe, vou tentar encestar, calma e pacificamente.

 

Nem nos tempos  em que a gestão da anterior direcção do basquetebol nacional não respirava boa saúde, se registava tantas críticas, quer na imprensa generalista como na desportiva. Nas redes sociais então...é o "quem dá mais" nesta gestão de Hélder Cruz "Maneda", que, no fundo, herdou um mandato a todos os títulos deprimente, a começar pelos cofres encalhados na miséria extrema e uma desorganização  que meteria  qualquer cidadão atento numa condição  defensiva permanente.

O homem, diz-se, acabou por colocar o cargo à disposição, em sede própria, ou está prestes a fazê-lo em hasta pública. De facto, é um mandato muito duro, este o do ainda actual presidente da Federação Angolana de Basquetebol; um conhecido empresário de sucesso da nossa praça que deu tudo para que pudesse se sentar no cadeirão de uma das mais prestigiadas federações desportivas africanas, como resultado de uma trajectória de conquista e glória dos basquetebolistas angolanos que ganharam tudo o que tinham para ganhar, quer a nível das selecções nacionais como  dos clubes nas competições africanas.

Hoje, a FAB é aquilo que se pode chamar de "saco de pancadas". Mas como não estou a falar de boxe, vou tentar encestar, calma e pacificamente, começando por dizer o seguinte: 

1. Que se saiba que não é  de todo racional que se deite todos os azeites  por cima do actual presidente da Federação, uma vez que, acima desta instituição, devem estar os interesses do Estado. Logo, este, através do Ministério dos Desportos, devia apitar e pôr fim a este clima pesado, sem fim à vista, numa altura em que se prepara mais uma participação de alto nível da nossa selecção nacional.

2. Parece-me,pois,  que , perante a situação em que se encontra o nosso basquetebol a nível da selecção nacional sénior principalmente, o Estado tem uma palavra a dizer, na devida medida que foi ele que ao longo de mais de quarenta anos  sustentou, promoveu ou patrocinou através de variadíssimas formas, as conquistas alcançadas pelos nossos brilhantes atletas, geração após geração de campeões inesquecíveis como Jean Jacques da Conceição,  José Carlos Guimarães, Zé Assis, Mário Octávio, Victor Almeida, Hilário, Barbosinha, Sidrak,António Guimarães, Artur Barros, etc., etc, e mais recentemente Lutonda,Aníbal, Baduna,Victor de Carvalho, Ângelo Vitoriano, Mingas,Kikas, Carlos Almeida e mais de uma centena de craques que deliciaram o  mundo com o seu talento e espírito de sacrifício, pois, em condições económicas muito piores, o Estado conseguiu dar-lhes alguma nobreza e a dignidade merecida para que representassem a nação.

3. É verdade que o presidente da FAB não tem dado a cara quantas vezes sejam necessárias e oportunas, mas há que neste contexto  salientar o facto de não ser aconselhável estar-se sempre a aparecer nas TV's para cair na mesmice de sempre: "não há dinheiro, não vi nada, temos dívidas, não nos apoiam", enfim. Nas mais das vezes, o tal "ceguinho" que estão  constantemente a surrar, num quadro de absoluta pobreza dos cofres públicos, é o mesmo que tem tido a coragem de bater à porta de várias instituições públicas  que (azar dele) fruto da situação em que  financeiramente estão, se têm pura e simplesmente negado  em rubricar os necessários acordos de patrocínio para que as selecções nacionais participem e colham bons resultados nas competições internacionais.

Entretanto, devo referir que não se está a isentar de culpas o presidente da federação. Longe disso. Nesta altura do campeonato, seria de boim tom  aconselhar-se ao senhor Maneda a solicitar à Mesa da Assembleia Geral da FAB uma assembleia geral extraordinária para que todos os associados e clubes discutissem abertamente os problemas da instituição e da modalidade em todos os escalões. Nesta assembleia geral, caso não conseguisse colher pelo menos a solidariedade institucional dos seus parceiros, colocaria,aí sim, o seu lugar à disposição para que, ainda este ano,  outros se candidatassem e fossem a votos.Sou daqueles que pensa que , agindo assim, o actual presidente teria oportunidade de apresentar os seus argumentos face à situação em que se encontra a organização e, quem sabe, ele próprio, redimir-se dos eventuais erros que tenha cometido. É que vejo nos que o criticam, poucos com  vontade  desportiva e sobretudo disponibilidade financeira para segurar o leme da Federação Angolana de Basquetebol nesta altura do campeonato.

 

João G. Tuta Vieira Resende

Luanda (Nov/2018)

 

TIRADAS DA IMPRENSA

"Qualquer ideia que te agrade,

Por isso mesmo... é tua.

O autor nada mais fez que vestir a verdade

Que dentro em ti se achava inteiramente nua..."

- Mario Quintana

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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo".

- Clarice Lispector

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"O que eu sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se entendesse".

- Clarice Lispector

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"Eu sei que não sou nada e que talvez nunca tenha tudo. Aparte isso, eu tenho em mim todos os sonhos do mundo".

- Fernando Pessoa

 

BOCAS SOLTAS

Em Outubro de 2015, o país acordou carregado de esperança. Uma vez mais, ouviria o discurso sobre o Estado da Nação. O país estava mergulhado numa crise profunda, muito grave.José Eduardo dos Santos surpreendentemente não compareceu na Assembleia Nacional e, em sua representação, Manuel Vicente esteve lá para, dentre outras coisas, falar sobre os nossos "apertos" relativamente aos "kilápis" milionários a nível externo. Revelou que Angola contraíra na altura  créditos à China no valor de aproximadamente 6 mil milhões de dólares, destinados ao investimento público nos domínios da educação, saúde, água, energia eléctrica e estradas(...). O vice-Presidente da República disse que os esforços  do governo "tinham estado a ser apreciados por várias entidades internacionais". Passados três anos, não é claramente o que os novos governantes têm estado a dizer sobre o destino deste "bolo". Em certos fóruns, já se diz que foram mal utilizados ou mesmo "desviados". E o que é que acham os cidadãos?

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"Desde 2015 já ouvimos vários discursos e quase todos eles disseram exactamente o contrário. Ou seja, o país teve, isso sim, a sua imagem profundamente debilitada devido  aos maus investimentos  que se fizeram com o dinheiro da China".

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"Depois das eleições de 2017, as coisas tornaram-se mais claras e os próprios governantes e deputados ligados ao partido no poder começaram a destapar uma enorme panela onde se cozinhava todas as mentiras sobre o Estado da Nação. Tudo aquilo que antes se disse  foi um verdadeiro embuste".

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"Não hajam dúvidas que, graças à coragem de alguns dirigentes e mesmo da imprensa desse tempo novo, algumas verdades vieram ao de cima e uma delas é sobre a dívida chinesa. É enorme e não sabemos se nos próximos trinta anos seremos capazes de pagá-la. Eu não acredito que sejamos capazes de o fazer".

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"Há três anos vivíamos de facto o maior aperto desta crise  financeira internacional que afectou inclusive vários países do mundo com economias robustas. Eu acho que os governantes da altura não tinham outra hipótese, se não despejar um balde de água fria sobre as nossas cabeças. A coisa estava feia e até parecia que voltaríamos a um estado de guerra. Tivemos mesmo de engolir vários sapos..."

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"Temos uma nova liderança do país e ainda bem que esta vai desmontando todo um esquema de mentiras arquitectado no passado. Eu até acredito que se for mais transparente nestas coisas da dívida com a China, vai sair a ganhar, ao contrário do que aconteceu com outra liderança que é culpada da péssima situação económica e social vivida por Angola".

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