LEITORES
22 de junho 2018 - às 06:25
CRIMINALIDADE SOMA E MATA
Os psicólogos, sociólogos e outros especialistas chamados a analisar os elevados índices atingidos ultimamente pela criminalidade em todo o país não têm dúvidas: a linha ascendente alcançada deve-se fundamentalmente às medidas políticas tomadas pelo Estado, por forma a diminuir os efeitos perversos da corrupção que levou o país à bancarrota.
Com a crise económica e financeira instalada, foi-se notando que a legião de delinquentes cresceu como noutros tempos em que em todo o país surgiram grupos de jovens e adultos considerados “altamente perigosos”. Estes tomavam conta dos bairros periféricos das cidades e atreviam-se mesmo a fazer incursões perigosas nas chamadas zonas urbanas de elite.
Como habitante de uma destas zonas de privilegiados, como o povo adjectiva com desdém, mas com razão, sinto que nos grandes centros populacionais já não existe a segurança desejada pelos cidadãos que neles habita e pagam avultadas somas de dinheiro quer de rendas para o Estado como para a desejada protecção que deviam merecer por parte das administrações locais, através dos órgãos da Polícia Nacional.
Mal ou bem, a polícia de Ordem Pública se tem esforçado para que o actual quadro da criminalidade não atinja os números vergonhosos obtidos em países como o Brasil, o México ou a Colômbia, em que a própria polícia vê-se diariamente confrontada com o alto nível organizacional e o poderio das armas da bandidagem organizada.
É certo que Angola não possa ser comparada com qualquer um dos países citados relativamente aos crimes cometidos diariamente e em que não raras vezes são mesmo envolvidos políticos e empresários de grande poder financeiro. Mas também é verdade que , se não se meter travão a este estádio de registos criminais, para lá caminharenmos mais cedo do que imaginamos.
Os crimes registados nos últimos tempos deste ambiente de crise que apoquenta todas as famílias angolanas, incluindo as mais abastadas, são de tal forma perigosos que merecem urgentemente outro tipo de diagnósticos que não os considerados “puros e duros” como a prisão dos criminosos condenados ou pagamento de multas. Daí, o engajamento dos psicólogos e sociólogos que pedem encarecidamente para que sejam sempre chamados a entrar neste combate.
Estes especialistas querem oportunidades de emprego e condições técnicas e materiais, no sentido de darem o seu contributo numa questão que tem impedido o desenvolvimento normal das actividades quotidianas dos cidadãos, quer em casa como nas ruas ou mesmo nos locais de serviço ligados ao funcionalismo público ou ao sector privado.
Só a polícia não chega para que se diminua a onda de crimes que a cada dia que passa vai destruindo os bons valores de convivência que ainda resta em algumas zonas das grandes cidades e das periferias destas em todo o país. Luanda, Benguela, Huíla,Huambo e mais recentemente as Lundas, o Bié ou Malanje são apenas seis províncias das dezoito onde o crime organizado, violento e assassino faz morada e cresce.
Nas chamadas províncias menos populosas, menos desenvolvidas e a braços com o problema das assimetrias regionais, o crime também vai fazendo os seus estragos e são poucos os sociólogos e psicólogos com vontade de lá irem ou se estabelecerem para que , em conjunto, com a Polícia e os órgãos de Investigação Criminal diminuírem a pressão que os cidadãos estão sujeitos devido à acção criminosa das redes de delinquentes à solta.
Benjamin Loures A. Magalhães
Luanda
BOCAS SOLTAS
É dura a vida dos antigos combatentes e veteranos da Pátria; uma boa parte deles vive em condições indignas. Ao longo de todos estes anos de paz, sobretudo, é verdade que o governo tem prestado maior atenção a estes milhares de cidadãos que um dia se sacrificaram para que o país fosse independente, mais justo e integrasse o mosaico das nações livres e soberanas respeitáveis. A maka dos antigos combatentes em algum momento trouxe à rua manifestações de indignação muito sérias. Hoje, a maioria silenciosa organizada ou não, tem uma vontade enorme de colocar em hasta pública os mesmos problemas de sempre, hoje agravados pela crise económica do país. Numa só frase:” esta gente vive mal!”. Como a seguir constatamos, o Executivo tem de correr atrás das instituições, no sentido de inverter o quadro de pobreza em que estão mergulhados estes chefes de família exemplares. Alguns leitores, sob anonimato, têm uma análise altamente crítica sobre o assunto…
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“É triste vermos muitos dos nossos pais a serem abandalhados nos bancos ou nas administrações do Estado a estenderem as mãos para que recebam os tais “subsídios”. Por vezes, até passam por pedintes ou desrespeitados pelos funcionários das tais instituições que os deviam apoiar com dignidade.Isto não é justo!”.
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“Já perdi a conta do número de ministros nomeados para tomar conta do pelouro dos Antigos Combatentes. O que sei é que todos eles também fizeram parte da legião destes compatriotas que lutaram pela conquista da liberdade. Portanto, conhecem os sacrifícios do seu passado. O que mais me admira é que não fazem o máximo para que os seus companheiros tenham uma vida mais segura. Entra um, sai outro, e o quadro continua, no mínimo, problemático. Já foi pior, mas todos os governantes deviam fazer mais e melhor em prol da defesa dos direitos dos antigos combatentes. Até por uma questão de consciência patriótica”.
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“O que vivem os antigos combatentes é um verdadeiro drama social que é geral. Mas esta gente, que devia ter “um estatuto especial”, sofre mais este drama porque sabe o quanto passou para que os angolanos fossem donos do seu destino. Por tudo quanto fizeram, acho que este governo novo vai concretizar os planos de apoio orientados a modificar o “status quo”, tanto mais o actual titular da pasta dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos, tem estado em contacto permanente com eles em regiões muito longe do seu gabinete instalado na capital do país. Isto é um bom sinal…”
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“Pelo que eu ouvi, creio que o governo está a fazer tudo para que o quadro legal de assistência e protecção do antigo combatente e deficiente de guerra seja revisto, pois a lei actual não cumpre as exigências dos assistidos. Para mim, trata-se de uma estratégia que vai levar algum tempo, mas é necessária para se acabar de uma vez por todas as “misérias“ que eram (continuam a ser) os subsídios, por exemplo. Também sei que os antigos combatentes querem que o Estado subvencione o pagamento da energia e água, entre outros pequenas “regalias” que julgam ter direito”.
TIRADAS DA IMPRENSA
"Qualquer simples problema se pode tornar insolúvel se for feito um número suficientes de reuniões para o discutir."
- Arthur Bloch
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"Quando vires um gigante, repara bem na posição do sol, não vá acontecer que se trate da sombra de um pigmeu."
- Von Hardenberg
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"Vencer não é nada se não se teve muito trabalho, fracassar não é nada se não se fez o melhor possível."
- Nadia Boulanger
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"Só existe uma forma de êxito - ser capaz de viver a vida de acordo com a própria consciência."
-Christopher Morley